Fonte: Revista Marie Claire
Carlos, um garoto de 15 que não foi aceito por ser gay, sofreu preconceito da familia e da sociedade (não conseguiu emprego), e portanto foi se prostituir na BR-316, se apaixonou por um caminhoneiro (os clientes de carteirinha destes 'serviços' da BR-316, esta é a rodovia federal que liga o Pará a Pernambuco), que marcou um programa com ele sob esse pretexto fez Carlos entrar no matagal. "Tinha dois amigos dele que me estupraram e me deixaram jogado no mato. Hoje, ninguém me engana mais."
Carlos continua sofrendo os efeitos do abandono. Paga R$ 10 todas as noites para o dono do ponto, um cafetão que volta e meia aparece pela rodovia para aterrorizar os mais novos e menos experientes, alguns com apenas 9 anos.
Na rede de exploração, frentistas, lavadores, vigias e até policiais são coniventes com a exploração. 'Eles sabem, mas fazem de conta que não sabem', diz Carla.
Quem trafega na rodovia percebe que o que falta mesmo é vontade de se envolver. Durante a semana em que a reportagem de Marie Claire circulou pela BR-316, dezenas de crianças foram vistas subindo em caminhões para fazer programas. Outra dezena entrava em carros -muitas consumindo álcool. Diversas afirmaram que nunca foram abordadas por autoridades e que entram em qualquer bar, restaurante e motel - são mais de 20 só nos primeiros 12 quilômetros- sem problemas.